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Cardeal Martino, defensor da vida e da família na ONU
Homenagem em Roma ao purpurado italiano
Por Edward Pentin
ROMA, quinta-feira, 4 de março de 2010 (ZENIT.org).- O cardeal Renato Raffaele Martino talvez seja mais conhecido como o último presidente do Conselho Pontíficio “Justiça e Paz”, cargo que ocupou desde 2002 até o mês passado.
Mas antes de chegar a Roma, foi durante 16 anos observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas em Nova York. Durante esse tempo, o diplomata do Vaticano dirigiu numerosas campanhas em que a Santa Sé pressionou com êxito, contra, entre outras coisas, a promoção mundial do aborto e a redefinição da família. Por essas e outras conquistas, ele foi homenageado em um jantar em Roma, no dia 12 de fevereiro.
“As instruções das negociações podem ter vindo de João Paulo II”, afirmou uma mensagem de Austin Ruse, cuja organização, Catholic Family and Human Rights Institute, era anfitriã do evento. “Mas a realização dessas instruções recaiu" sobre Martino e seus colaboradores.
“É difícil e quase impossível enfrentar o que muitas vezes parece ser o mundo inteiro, mas nunca desistiu”, explicou Ruse. “É um reconhecimento a sua determinação o fato de que durante anos nossos adversários não conseguiram o que queriam. Queriam uma redefinição da família e perderam porque o senhor os deteve. Seria fácil e também plausível renunciar e deixar passar, mas o senhor nunca o fez, e por isso estamos aqui contigo esta noite”.
Ruse, que não pode estar presente devido ao mau tempo, disse em sua mensagem que sua organização havia recebido mais de 2 mil homenagens ao cardeal vindas de todo o mundo. “Obrigado, cardeal Martino, em nome de todos os bebês que salvou por se opor ao aborto e ao direito universal do aborto nas Nações Unidas”, dizia uma homenagem. “Deus o recompensará em abundância pelas cruzes que teve de carregar”. Outro disse: “Você é uma inspiração para todos nós, você é um herói, é realmente o coração de Jesus, sua vontade, mãos e pés na terra”.
Uma das colaboradoras do cardeal Martino, Christine de Vollmer, recordou como o então arcebispo “realmente colocou a Santa Sé sobre o mapa das Nações Unidas”, transformando-a de “um mero observador” para se converter “em um verdadeiro motor das Nações Unidas”. A história dirá que “este era um homem muito bom enviado por um Papa grandioso”.
Outro negociador, Jean Head, referiu-se a uma famosa citação do político pró-vida norte-americano Henry Hyde, dizendo que quando o cardeal Martino chegar ao Juízo Final, haverá um coro de vozes nunca ouvidas neste mundo, que dirá perante Deus: “absolvei-o, porque ele nos amou”.
O cardeal Martino, que atualmente está escrevendo suas memórias, recorda quantos esforços contínuos foram feitos para reverter a sentença que proíbe a promoção do aborto como método de planejamento familiar, uma vez que ele e seus negociadores ajudaram a detê-la na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento no Cairo em 1994. Em cada ocasião, afirmou, o lobby pró-aborto tentava incluir fórmulas que abrissem a porta ao aborto, mas “não conseguiram”.
Ele ainda afirmou que não poderia ter alcançado esses progressos sem a ajuda de negociadores especialistas e, sobretudo, a ajuda de Deus. “Nós fizemos isso”, disse, “mas como instrumentos do Senhor”.
* * *
Em nome da diversidade
Os católicos na Inglaterra gostariam de alguém do calibre do cardeal Martino nesse momento.
Na semana passada, o Parlamento britânico votou para aprovar uma emenda a um projeto de lei que, de acordo com o Governo e com uma agência da Igreja Católica, permitirá às escolas religiosas ensinar educação sexual de acordo com seu ideário religioso.
Mas de acordo com organizações pró-vida e muitos católicos ortodoxos, a emenda é enganadora e errônea, pois obriga as escolas, incluindo as católicas, a darem informações sobre contracepção, aborto, uniões homossexuais, em nome da igualdade e da diversidade. O ministro da Educação do Governo, Ed Balls, admitiu isso em um programa de rádio da BBC no dia da votação.
“Eles podem explicar os pontos de vista de sua fé”, disse, “mas o que eles não podem fazer é dizer que não vão ensinar as crianças sobre contracepção, ou como usar métodos contraceptivos”. Ainda afirmou que o que mudou no projeto de lei, pela primeira vez, “é que as escolas não podem simplesmente ignorar essas questões ou ensinar somente um lado do tema”.
“Os professores nas escolas religiosas vão ensinar pontos de vista diferentes sobre a homossexualidade, mas não se pode ensinar sobre a homofobia, a união civil deve ser explicada e deve ser dada uma visão equilibrada sobre o aborto. Deverão explicar os dois lados do assunto e a maneira de ter acesso ao aborto, e o mesmo sobre a verdade da contracepção”.
As escolas religiosas, portanto, estarão obrigadas agora, por exemplo, a instruir as jovens sobre onde matar o filho que levam em seu ventre, afirmam as organizações pró-vida. Também dizem que há muitos outros aspectos dessa legislação que irão “divulgar” aos alunos mensagens a favor do aborto, além de tudo irão promover uma maior “sexualização das crianças”. Como um observador aponta: as escolas católicas a partir de agora serão coagidas, pelo conceito estatal de “neutralidade”, a apresentar como “escolha” o que até agora “não foi uma opção”, para dar aos alunos opções como se fossem moralmente equivalentes, para promover o que tradicionalmente é considerado como ‘pecado’. É a facilitação sob o disfarce da informação”.
No entanto, o Serviço de Educação Católica, a agência que está trabalhando com o Governo sobre o projeto de lei e que está dirigida pelos bispos da Inglaterra e Gales, apoiam a legislação. Insiste que o ensino de todos os aspectos do plano de estudos nas escolas católicas “reflete seu caráter religioso”, e que a educação sexual “estará enraizada no ensinamento da Igreja Católica sobre o profundo respeito da dignidade de todos os seres humanos”.
Isso não convenceu as organizações pró-vida, algumas dos quais se sentem “totalmente traídas” pela postura da agência. Um grupo disse que o novo plano de estudos “vai colocar a consciência dos professores católicos, dos pais e dos jovens em uma situação totalmente injusta”. Até agora, somente o cardeal Keith Patrick O’Brien, presidente da Conferência Episcopal Escocesa, falou em nome da Igreja contra o projeto de lei. Acredita-se que os bispos da Inglaterra e Gales ainda comentarão o assunto.
Alguns sacerdotes e leigos veem esse projeto de lei como o fruto de décadas de discórdia dentro da Igreja Católica na Grã-Bretanha. E, tanto dentro como fora da Igreja, esse projeto de lei está sendo considerado como um flagrante de oposição à lei moral natural que os governos supõem defender.
Bento XVI recordou aos bispos da Inglaterra e Gales no começo de fevereiro que essa legislação que restringe a liberdade religiosa, na realidade, “viola o direito natural sobre o qual se baseia a igualdade de todos os seres humanos”. Então lhes pediu que o ensinamento moral da Igreja “seja sempre apresentado em sua totalidade e convincentemente defendido”. A fidelidade ao Evangelho “nada limita a liberdade dos outros - pelo contrário, serve a sua liberdade, oferecendo a verdade”.
Agora o projeto de lei passará pela Câmara dos Lordes, onde se espera um duro trabalho para garantir que o seja derrotado.
* * *
Edward Pentin é escritor. Vive em Roma (epentin@zenit.org).
Cardeal Martino, defensor da vida e da família na ONU
Homenagem em Roma ao purpurado italiano
Por Edward Pentin
ROMA, quinta-feira, 4 de março de 2010 (ZENIT.org).- O cardeal Renato Raffaele Martino talvez seja mais conhecido como o último presidente do Conselho Pontíficio “Justiça e Paz”, cargo que ocupou desde 2002 até o mês passado.
Mas antes de chegar a Roma, foi durante 16 anos observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas em Nova York. Durante esse tempo, o diplomata do Vaticano dirigiu numerosas campanhas em que a Santa Sé pressionou com êxito, contra, entre outras coisas, a promoção mundial do aborto e a redefinição da família. Por essas e outras conquistas, ele foi homenageado em um jantar em Roma, no dia 12 de fevereiro.
“As instruções das negociações podem ter vindo de João Paulo II”, afirmou uma mensagem de Austin Ruse, cuja organização, Catholic Family and Human Rights Institute, era anfitriã do evento. “Mas a realização dessas instruções recaiu" sobre Martino e seus colaboradores.
“É difícil e quase impossível enfrentar o que muitas vezes parece ser o mundo inteiro, mas nunca desistiu”, explicou Ruse. “É um reconhecimento a sua determinação o fato de que durante anos nossos adversários não conseguiram o que queriam. Queriam uma redefinição da família e perderam porque o senhor os deteve. Seria fácil e também plausível renunciar e deixar passar, mas o senhor nunca o fez, e por isso estamos aqui contigo esta noite”.
Ruse, que não pode estar presente devido ao mau tempo, disse em sua mensagem que sua organização havia recebido mais de 2 mil homenagens ao cardeal vindas de todo o mundo. “Obrigado, cardeal Martino, em nome de todos os bebês que salvou por se opor ao aborto e ao direito universal do aborto nas Nações Unidas”, dizia uma homenagem. “Deus o recompensará em abundância pelas cruzes que teve de carregar”. Outro disse: “Você é uma inspiração para todos nós, você é um herói, é realmente o coração de Jesus, sua vontade, mãos e pés na terra”.
Uma das colaboradoras do cardeal Martino, Christine de Vollmer, recordou como o então arcebispo “realmente colocou a Santa Sé sobre o mapa das Nações Unidas”, transformando-a de “um mero observador” para se converter “em um verdadeiro motor das Nações Unidas”. A história dirá que “este era um homem muito bom enviado por um Papa grandioso”.
Outro negociador, Jean Head, referiu-se a uma famosa citação do político pró-vida norte-americano Henry Hyde, dizendo que quando o cardeal Martino chegar ao Juízo Final, haverá um coro de vozes nunca ouvidas neste mundo, que dirá perante Deus: “absolvei-o, porque ele nos amou”.
O cardeal Martino, que atualmente está escrevendo suas memórias, recorda quantos esforços contínuos foram feitos para reverter a sentença que proíbe a promoção do aborto como método de planejamento familiar, uma vez que ele e seus negociadores ajudaram a detê-la na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento no Cairo em 1994. Em cada ocasião, afirmou, o lobby pró-aborto tentava incluir fórmulas que abrissem a porta ao aborto, mas “não conseguiram”.
Ele ainda afirmou que não poderia ter alcançado esses progressos sem a ajuda de negociadores especialistas e, sobretudo, a ajuda de Deus. “Nós fizemos isso”, disse, “mas como instrumentos do Senhor”.
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Em nome da diversidade
Os católicos na Inglaterra gostariam de alguém do calibre do cardeal Martino nesse momento.
Na semana passada, o Parlamento britânico votou para aprovar uma emenda a um projeto de lei que, de acordo com o Governo e com uma agência da Igreja Católica, permitirá às escolas religiosas ensinar educação sexual de acordo com seu ideário religioso.
Mas de acordo com organizações pró-vida e muitos católicos ortodoxos, a emenda é enganadora e errônea, pois obriga as escolas, incluindo as católicas, a darem informações sobre contracepção, aborto, uniões homossexuais, em nome da igualdade e da diversidade. O ministro da Educação do Governo, Ed Balls, admitiu isso em um programa de rádio da BBC no dia da votação.
“Eles podem explicar os pontos de vista de sua fé”, disse, “mas o que eles não podem fazer é dizer que não vão ensinar as crianças sobre contracepção, ou como usar métodos contraceptivos”. Ainda afirmou que o que mudou no projeto de lei, pela primeira vez, “é que as escolas não podem simplesmente ignorar essas questões ou ensinar somente um lado do tema”.
“Os professores nas escolas religiosas vão ensinar pontos de vista diferentes sobre a homossexualidade, mas não se pode ensinar sobre a homofobia, a união civil deve ser explicada e deve ser dada uma visão equilibrada sobre o aborto. Deverão explicar os dois lados do assunto e a maneira de ter acesso ao aborto, e o mesmo sobre a verdade da contracepção”.
As escolas religiosas, portanto, estarão obrigadas agora, por exemplo, a instruir as jovens sobre onde matar o filho que levam em seu ventre, afirmam as organizações pró-vida. Também dizem que há muitos outros aspectos dessa legislação que irão “divulgar” aos alunos mensagens a favor do aborto, além de tudo irão promover uma maior “sexualização das crianças”. Como um observador aponta: as escolas católicas a partir de agora serão coagidas, pelo conceito estatal de “neutralidade”, a apresentar como “escolha” o que até agora “não foi uma opção”, para dar aos alunos opções como se fossem moralmente equivalentes, para promover o que tradicionalmente é considerado como ‘pecado’. É a facilitação sob o disfarce da informação”.
No entanto, o Serviço de Educação Católica, a agência que está trabalhando com o Governo sobre o projeto de lei e que está dirigida pelos bispos da Inglaterra e Gales, apoiam a legislação. Insiste que o ensino de todos os aspectos do plano de estudos nas escolas católicas “reflete seu caráter religioso”, e que a educação sexual “estará enraizada no ensinamento da Igreja Católica sobre o profundo respeito da dignidade de todos os seres humanos”.
Isso não convenceu as organizações pró-vida, algumas dos quais se sentem “totalmente traídas” pela postura da agência. Um grupo disse que o novo plano de estudos “vai colocar a consciência dos professores católicos, dos pais e dos jovens em uma situação totalmente injusta”. Até agora, somente o cardeal Keith Patrick O’Brien, presidente da Conferência Episcopal Escocesa, falou em nome da Igreja contra o projeto de lei. Acredita-se que os bispos da Inglaterra e Gales ainda comentarão o assunto.
Alguns sacerdotes e leigos veem esse projeto de lei como o fruto de décadas de discórdia dentro da Igreja Católica na Grã-Bretanha. E, tanto dentro como fora da Igreja, esse projeto de lei está sendo considerado como um flagrante de oposição à lei moral natural que os governos supõem defender.
Bento XVI recordou aos bispos da Inglaterra e Gales no começo de fevereiro que essa legislação que restringe a liberdade religiosa, na realidade, “viola o direito natural sobre o qual se baseia a igualdade de todos os seres humanos”. Então lhes pediu que o ensinamento moral da Igreja “seja sempre apresentado em sua totalidade e convincentemente defendido”. A fidelidade ao Evangelho “nada limita a liberdade dos outros - pelo contrário, serve a sua liberdade, oferecendo a verdade”.
Agora o projeto de lei passará pela Câmara dos Lordes, onde se espera um duro trabalho para garantir que o seja derrotado.
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Edward Pentin é escritor. Vive em Roma (epentin@zenit.org).
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