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16. Reforçar a educação dos filhos

A Família: Um olhar a partir da beleza e da bondade

 

Num dos Relatórios Mundiais da Educação, escrito há aproximadamente 20 anos, tive a oportunidade de ler uma das frases que considero mais clarividentes no que diz respeito à ligação existente entre a educação e o futuro que estamos a construir. Sem a intenção de a traduzir literalmente, deixo aqui aquele que é o seu sentido: «O futuro que queremos deixar às nossas cri.aças depende das crianças que formos capazes de deixar a esse futuro». O sentido da afirmação parece-me óbvio, mas porque o considero da maior importância, reforço-o dizendo-o de novo por outras palavras. Nenhum de nós tem dúvidas que vivemos num mundo de profundas transformações, onde as decisões que tomarmos terão a maior relevância para o nosso futuro. É neste preciso momento, parece-me a mim de uma maneira muito clara, que estamos a traçar os caminhos que marcarão a vida das próximas gerações. Precisamos urgentemente de construir um mundo mais solidário, mais justo e mais fraterno, no fundo um mundo mais humano onde não haja lugar nem para ‘descartados’, nem para ‘sobrantes’. Ora bem, um mundo desses só pode ser edificado se educarmos essas mesmas gerações na linha de uma maior solidariedade, justiça e fraternidade. A educação surge, assim, como uma daquelas realidades mais importantes e mais decisivas em todo este processo.

Num texto dedicado à família e à importância que esta tem para o futuro do mundo e da Igreja, como é a Exortação Amoris Laetitia, não é, pois, de estranhar que exista um capítulo, o sétimo, que tenha como temática a educação dos filhos. Logo nas suas primeiras linhas podemos encontrar uma afirmação, onde o papa Francisco situa a questão: “Os pais incidem sempre, para bem ou para mal, no desenvolvimento moral dos seus filhos. Consequentemente, o melhor é aceitarem esta responsabilidade inevitável e realizarem-na de modo consciente, entusiasta, razoável e apropriado”. (nº 259)

Mais claro não se poderia ser. Na educação dos filhos, ou se quisermos para ligar com o que anteriormente dizia, na educação das próximas gerações, o papel da família, e no seu contexto o papel dos pais, é absolutamente fundamental. A este propósito o texto da Exortação chama-nos a atenção para alguns aspetos decisivos, dos quais faço aqui referência apenas a alguns. No contexto do acompanhamento dos filhos diz-nos, por exemplo, que:

“a grande questão não é [saber] onde está fisicamente o filho, com quem está neste momento, mas onde se encontra em sentido existencial, onde está posicionado do ponto de vista das suas convicções, dos seus objectivos, dos seus desejos, do seu projecto de vida”. (nº 262)

Pessoalmente não tenho dúvidas de que o ‘sítio’ onde repousa o coração de cada um é onde se joga, com verdade, o sentido da vida. Por isso a tarefa dos pais não pode deixar de incluir a educação da vontade e o desenvolvimento dos hábitos, para que os filhos se habituem a querer e a fazer o bem para si e para os outros (cf. nº 264). A este propósito, lembra ainda que “esta formação deve ser realizada de forma indutiva, de modo que o filho possa chegar a descobrir por si mesmo a importância de determinados valores, princípios e normas, em vez de lhos impor, como verdades indiscutíveis”. (nº 264)

Em toda esta dinâmica, a liberdade, como não poderia deixar de ser, tem um lugar de destaque. Neste sentido diz-se explicitamente que “o que interessa acima de tudo é gerar no filho, com muito amor, processos de amadurecimento da sua liberdade, de preparação, de crescimento integral, de cultivo da autêntica autonomia”. (nº 261)

E para que não restem dúvidas, insiste, afirmando que:

“A educação envolve a tarefa de promover liberdades responsáveis, que nas encruzilhadas, saibam optar com sensatez e inteligência; pessoas que compreendam sem reservas que a sua vida e a vida da sua comunidade estão nas suas mãos e que esta liberdade é um dom imenso.” (nº 261)

A missão da família na tarefa da educação em todos os seus âmbitos, também no da proposição e transmissão da fé, tem nesta Exortação um lugar de destaque. Também neste contexto temos de aprender a olhar e ensinar a olhar a partir daquela beleza e daquela bondade que são capazes de transformar o mundo.

 

Escrito por Juan Ambrósio e publicado em Jornal da Família, julho de 2017