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DIA DOS AVÓS – 26 de julho de 2017

Mensagem da Comissão Episcopal do Laicado e Família

 

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Jornadas da pastoral famíliar

No âmbito da Comissão Episcopal do Laicado e Família (CELF) está a Pastoral Familiar. Para a implementação das decisões tomadas e a realização das iniciativas próprias desta área existe o Departamento Nacional da Pastoral Familiar.

Formado por um grupo de pessoas com experiência de trabalho nas questões da Família, o Departamento organiza anualmente as Jornadas Nacionais da Pastoral Familiar e a Semana da Vida.

Promove ainda um Encontro Nacional anual com os serviços diocesanos da Pastoral Familiar e os coordenadores nacionais dos Movimentos ligados à área da Família.

O Departamento Nacional da Pastoral Familiar é actualmente coordenado pelo casal Celina Maria Mesquita da Silva Marques e Manuel da Conceição Marques,

Ecos das XXVIII Jornadas Nacionais da pastoral familiar

As XXVIII Jornadas Nacionais da Pastoral da Família tiveram lugar em Fátima, no Seminário do Verbo Divino, nos dias 22 e 23 de Outubro, subordinadas ao tema “A Alegria do Amor e os desafios à Pastoral Familiar”.

 

Foram precedidas de uma reunião, na noite do dia 21, promovida pela CELF, na Casa de Nossa Senhora do Carmo, com a presença de: D. Antonino Dias, D. António Carrilho, D. Ilídio Leandro, D. Joaquim Mendes e D. Francisco Senra Coelho, P. Luís Inácio João, Manuel Duarte, Equipa do Departamento Nacional da Pastoral Familiar e Equipa eleita do CPM Nacional, tendo estas duas últimas instituições apresentado os seus Planos de Acção.

 

Nas Jornadas estiveram presentes cerca de 400 pessoas provenientes das Dioceses de: Algarve, Angra, Aveiro, Braga, Bragança-Miranda, Coimbra, Funchal, Guarda, Lamego, Leiria-Fátima, Lisboa, Portalegre-Castelo Branco, Porto, Santarém, Setúbal, Viana do Castelo, Vila Real, Viseu e Forças Armadas, tendo faltado, apenas, as Dioceses de Beja e Évora.

 

Houve casais que se identificaram com os seguintes Movimentos da área da Família: Casais da Santa Maria, Convívios Fraternos, CPM, EM, ENS, Famílias Novas, Instituto Secular Cooperadoras da Família, MCC, MEV, MLC e Schoenstatt.

 

A oração da manhã foi a chave de abertura dos trabalhos, a que se seguiram palavras de saudação e acolhimento pelo Casal Coordenador do Departamento Nacional da Pastoral Familiar, apresentação das Dioceses e Movimentos, momento que foi concluído por D. Antonino Dias, Presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família que manifestou o seu apreço e regozijo por tão elevado número de presenças, desejando que as Jornadas fossem um alerta e um apelo à conversão de cada um dos presentes.

Na primeira exposição, D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima e Vice-Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, apresentou-nos a sua leitura sobre a Exortação Apostólica “A Alegria do Amor”, sublinhando que se tratava de uma magna carta para estes tempos.

Percorreu todo o documento, capítulo a capítulo, de uma forma extremamente pedagógica, evidenciando, por um lado, a lufada de ar fresco que o mesmo trouxe e, por outro lado, a falta de receitas prontas e práticas, a par de uma forte noção de necessidade de formação e de uma grelha comum de leitura.

Evocou o optimismo da Exortação Apostólica ao falar da família como primeiro espaço onde se vive a alegria do Evangelho e apontou a misericórdia de Deus e a Sua palavra como luz para o caminho, alimento da ternura e conforto face ao sofrimento e ao mal.

 

Lembrou que devemos estar atentos aos apelos do Espírito, compreendendo as exigências do momento actual: individualismo, usa e deita fora, instabilidade e imaturidade, ideologia do género, afirmando, de modo optimista, que estas realidades constituem desafios, pelo que não devemos ficar prisioneiros dos problemas.

Ao falar da família como um bem para a Igreja e sociedade, sublinhou a sacramentalidade do matrimónio cristão, a vivência quotidiana do matrimónio como caminho de crescimento que é preciso cultivar e a missão de as famílias serem sinais e instrumentos do amor de Deus entre os homens, do que ressalta a importância de um capaz discernimento vocacional.

A referência à fecundidade da família – biológica e para o exterior – trouxe o contexto educativo dos filhos, o abuso das tecnologias que coloca os filhos num mundo virtual, a necessidade de cultivar uma espiritualidade de amor, de ternura e de caminho em casal e na família, cimentada na oração da família e em família.

 

Contrapondo à excessiva idealização do matrimónio e à linguagem arcaica ou incompreensível, que tem vindo a ser utilizada, apelou a uma pastoral positiva, propositiva, proactiva e acolhedora que encha o coração das famílias, ilumine caminhos didácticos de crescimento, aponte o matrimónio como fonte de graça, passando-se de uma pastoral de fracasso a uma pastoral missionária e de consolidação do matrimónio.

 

Referiu que as pastorais concretas têm de ser confiadas às comunidades locais, pois é na paróquia que a Pastoral Familiar tem lugar, tornando as famílias objecto e sujeito de evangelização.

Urge, disse, propor itinerários de preparação para o matrimónio, ajudando os jovens a descobrir o valor e o dom do matrimónio como vocação, num percurso contínuo de discernimento que os leve do berço até ao casamento, evitando-se, deste modo, a superficialidade com que se vai contrair matrimónio.

 

Lembrou que o matrimónio é o início de um percurso conjugal que a comunidade deve acompanhar, utilizando mediações e recursos, tendo sempre presente que as crises, as angústias e as dificuldades devem ser acolhidas e vistas como uma oportunidade que convida a recriar, a renovar, num processo de desenvolvimento da arte de dialogar, de comunicar e de reconciliação, atitude que ajuda a curar as feridas e a olhar a vida com outro optimismo.

 

Os tempos pós roturas impõem atitudes de acolhimento das fragilidades, de escuta e de misericórdia perante cada situação devidamente individualizada, com propostas de itinerários de acompanhamento, de discernimento e de integração.

 

D. António Marto terminou a sua intervenção afirmando que a Exortação Apostólica “A Alegria do Amor” exige aos pastores, aos fiéis e às comunidades cristãs uma autêntica conversão pastoral.

 

Após o intervalo, o P. Carlos Carneiro, sacerdote jesuíta, falou sobre “A preparação para o Matrimónio e o acompanhamento dos casais novos”. Numa linguagem mais descontraída e atraente, sem deixar de ser séria e profunda, evocou o matrimónio como uma bênção e uma vocação à santidade, que leva os noivos a casar na igreja, em Igreja e pela Igreja, o que pressupõe um reconhecimento da própria Igreja, uma atitude de integração na igreja e uma preparação para a vida de casados.

 

Referiu que a preparação para o matrimónio impõe um trabalho de discernimento e de conversão, que deve beneficiar do testemunho de quem está casado – os pais, a família alargada, os amigos – testemunho que só pode ser de alegria e não de suplício ou de tortura.

 

Acentuou que casar é uma tarefa que nunca acabará, é um dinamismo latente, constante e motivador, que implica uma vida inteira de “um casar permanente”.

 

Quanto ao acompanhamento dos casais novos evocou a importância de os Movimentos e as estruturas da Pastoral Familiar estarem atentas e disponíveis para esse trabalho de acompanhamento, com propostas atractivas e festivas de formação, oferecendo-lhes a possibilidade de reflectirem temas de vária ordem, que os ajudem na organização e estabilização da sua vida, seja no âmbito conjugal ou familiar, num processo dinâmico que os motive à integração em grupos de casais, sejam paroquiais ou não.

 

Após o almoço seguiram-se os trabalhos de grupo, baseados em três questões, cujas reflexões, apresentadas no plenário, apontam para: a) a necessidade de um estudo empenhado e aprofundado da Exortação Apostólica “A Alegria do Amor”, nas nossas comunidades; b) a urgência em repensar uma preparação continuada para o matrimónio, num discernimento vocacional que vá desde o berço, atravesse a catequese, a preparação para o crisma, passe pelas aulas de EMRC, seja tema da Pastoral da Juventude e da Pastoral Universitária; c) a importância em criar “ligações” (humanas e espirituais) com os casais novos, a partir de equipas de acolhimento, dando-lhes a conhecer os grupos de acção da paróquia e os Movimentos da área da Família, propondo-lhes espaços de partilha, retiros e temas sedutores de formação.

 

No final do plenário o P. Manuel Mendes, Assistente Nacional da Pastoral Familiar sublinhou que é preciso desinstalarmo-nos, promover uma renovação constante no âmbito da Pastoral Familiar, reinventando e promovendo etapas de formação em ordem ao anúncio de Jesus Cristo, puxando a família para o centro da pastoral, dando, deste modo, um rosto familiar a toda a pastoral. Vivemos, disse, um momento de entusiasmo e de esperança que não podemos deixar morrer.

 

Com a recitação do Terço na Capelinha das Aparições se encerraram os trabalhos gerais do primeiro dia, pois os Assistentes e os Directores dos Secretariados Diocesanos da Pastoral Familiar e os Assistentes e Presidentes Nacionais dos Movimentos da Família ainda tiveram uma reunião de trabalho nessa noite.

 

O domingo começou pela oração da manhã, a que se seguiu uma conferência proferida pelo Cón. Arnaldo de Pinho, subordinada ao tema: “Acompanhar, discernir e integrar as situações «irregulares»: a liberdade e a responsabilidade do bispo diocesano”.

 

Começou por referir que a Exortação “A Alegria do Amor” é um documento radicalmente pastoral que tem como objectivo anunciar, preservar e difundir a alegria e a utopia do amor em família, em todos os seus aspectos: educação, fecundidade e espiritualidade. Por isso o documento insiste no trabalho pastoral, qualquer que seja a sua incidência – dirigido aos casos regulares ou irregulares, no sentido do crescimento e maturidade dos dinamismos do amor humano, ciente de que é de tal ordem que ou cresce ou morre.

 

Disse que o documento endossa a responsabilidade dos caminhos pastorais para as comunidades locais, recomendando que tenham em conta quer a doutrina da Igreja, quer as necessidades e desafios locais, não sem reconhecer que os ministros ordenados carecem habitualmente de formação adequada para tratar dos complexos problemas actuais das famílias.

 

Evocou a “Evangelii Gaudium” para referir que, após dois mil anos, Jesus voltou a ser um desconhecido, como o é no mundo ocidental: “Convém sermos realistas e não presumirmos que os nossos interlocutores conhecem todo o pano de fundo daquilo que dizemos, ou que são capazes de relacionar o nosso discurso com o núcleo essencial do Evangelho, que lhe confere sentido, beleza e fascínio”. Impõe-se, pois, uma conversão de linguagem que não consiste em mudar a doutrina – embora convenha tê-la actualizada – mas em encontrar a linguagem e os sinais adequados às pessoas que temos diante de nós.

 

Sublinhou o imprescindível discernimento caso a caso das famílias em situação “irregular”: pessoas envolvidas, o sacerdote e a Igreja. É este o programa, o método e a forma e mesmo os actores, disse. O discernimento apontado é um trabalho de direcção espiritual, o que supõe que haja algumas orientações do bispo, cuja competência é ordinária e alguns sacerdotes delegados para o efeito.

 

A Exortação não coloca limites á integração, mas nesta caminhada não se poderá prescindir da verdade na caridade do Evangelho proposto pela Igreja e para que isto suceda “devem garantir-se condições necessárias de humildade, reserva e amor á Igreja e ao seu ensino, na busca da sincera vontade de Deus, com o desejo de alcançar a resposta mais perfeita”.

 

Tendo em conta as afirmações reiteradas da Exortação ao papel da consciência, que é sempre pessoal, deixou a sugestão de que alguns bispos avançassem com a iniciativa de criar uma equipa de pessoas sábias e maduras capazes de acolher, acompanhar, discernir e integrar.

Abordou, ainda, critérios de discernimento, lei da gradualidade e centralidade da consciência, afirmando que nenhuma família é uma realidade perfeita, mas estão todas em caminho e que a tarefa a que o Sínodo convoca a Igreja, sobretudo relativamente às famílias em situação “irregular”, mas também às outras, não raro vítimas de bloqueamentos da lei e não da libertação da graça, é imenso e dá que pensar e que fazer.

 

Seguiu-se o testemunho de um casal em situação “irregular”, tendo cada um dos membros abordado o seu papel na Igreja antes da rotura e o modo como foram acolhidos na mesma paróquia após essa situação.

 

O P. Gonçalo abordou algumas das dificuldades que sente como pároco e que têm a ver com o modo como deve ser vista e tratada a pastoral familiar, se para a família ou em família, se uma agenda de iniciativas para as famílias ou a criação de um clima familiar na vida das comunidades e a dificuldade em fazer da preparação para os sacramentos uma oportunidade de evangelização.

 

As Jornadas terminaram com a Eucaristia, presidida por D. Antonino Dias e concelebrada por D. Joaquim Mendes e catorze sacerdotes.

 

Passaram pelas Jornadas, além dos cinco Bispos da Comissão Episcopal do Laicado e Família, D. António Marto, D. José Cordeiro, D. Augusto César e D. Serafim Ferreira e Silva.

 

Departamento Nacional da Pastoral familiar